quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Manifesto da Igreja Presbiteriana do Brasil sobre o acordo firmado entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé, e a “Lei Geral das Religiões”

A IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL, representada pelo Presidente do seu Supremo Concílio, diante do momento atual, em que forças organizadas da sociedade manifestam sua preocupação pela aprovação do texto do Acordo que vem labutar contra a laicidade do Estado Brasileiro e cercear a liberdade religiosa através de manifesta preferência e concessão à Igreja Católica Apostólica Romana de privilégios por parte do Estado Brasileiro, em face dos termos do Acordo entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé, firmado no dia 13 de novembro de 2008, vem a público, considerando que:

I. - O Vaticano, embora um Estado Soberano e Pessoa Jurídica de Direito Público Internacional, é a sede política e administrativa da religião Católica Apostólica Romana e, portanto, um Estado Teocrático. Todo acordo entre Ele e o Brasil que contemple matéria envolvendo assuntos referentes à dimensão da fé e não a assuntos temporais agride o princípio da separação entre Estado e Igreja, que é uma conquista obtida pela nação brasileira e se constitui na base da nossa República;


II. - Para Igreja Católica Apostólica Romana, as demais religiões e seus ritos próprios são apenas “elementos de religiosidade” preparatórios ao cristianismo verdadeiro, do qual ela é exclusiva detentora: “Com efeito, algumas orações e ritos das outras religiões podem assumir um papel de preparação ao Evangelho, enquanto ocasiões ou pedagogias que estimulam os corações dos homens a se abrirem à ação de Deus. Não se lhes pode, porém atribuir à origem divina nem a eficácia salvífica ex opere operato, própria dos sacramentos cristãos. (DECLARAÇÃO "DOMINUS IESUS" SOBRE A UNICIDADE E A UNIVERSALIDADE SALVÍFICA DE JESUS CRISTO E DA IGREJA);


III. - A identidade jurídica peculiar do Vaticano, a apresentar-se ora como Estado, ora como Religião, facilita a tentativa de ingerência e pode confundir administradores sobre os limites das concessões, quando tratam de assuntos que transcendem aqueles meramente administrativos e temporais. E, por ser o Vaticano um Estado, não pode impor ao Estado Brasileiro a aceitação de sua religião e da Igreja que representa para a obtenção de privilégios e vantagens diferenciadas;


IV. - É inegável que tal Acordo é flagrantemente inconstitucional, pois fere a Constituição da República, que destaca em seu artigo 19: “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-las, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público; (..); III – criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si”. Ora, o Estado do Vaticano é o REPRESENTANTE da Igreja Católica Apostólica Romana. O ACORDO, portanto, é INCONSTITUCIONAL e não pode prosperar num Estado Democrático de Direito, pois fere a cláusula pétrea da Constituição da República no caput do Artigo 5º, ou seja, o princípio Constitucional da ISONOMIA;


V. - Que o referido Acordo Internacional nos artigos 7º, 10º e, principalmente, 14º, impõe DEVERES ao Estado Brasileiro para com a Igreja Católica Apostólica Romana nos planejamentos urbanos a serem estabelecidos no respectivo PLANO DIRETOR, que deverá ter espaços destinados a fins religiosos de ação da Igreja Católica Apostólica Romana, contemplando a referida Igreja com destinação de patrimônio imobiliário;


VI. - O termo católico após a expressão “ensino religioso”, contido no Acordo, afronta a previsão do § 1º do artigo 210 da Constituição da República, que preceitua: “O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental”. O Acordo com a Santa Sé consignou no § 1º do artigo 11 que: “O ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental...”. Trata-se de evidente discriminação religiosa;


VII. – a aprovação pelo Congresso Nacional do referido Acordo conferiu privilégios históricos à Igreja Católica Apostólica Romana em nosso País reconhecendo-os como direitos, constituindo norma legal, uma vez que acordos internacionais, conforme a Constituição de 1988, têm força de lei para todos os fins. Aquilo que a história legou, a cultura vem transformando e o Direito não pode aceitar por consolidar dissídio na sociedade brasileira, que tem convivido de forma tolerante com o legado, mas não o admitirá como imposição contrária ao direito à liberdade de consciência, de crença e de culto, amparado pela Carta Magna e pelo Direito Internacional;


VIII. - De igual forma, o Projeto de Lei n.º 5.598/2009 e o PLS 160/2009 denominado “Lei Geral das Religiões”, já aprovado pela Câmara Federal e pelo Senado, mero espelho do Acordo, incorre nos mesmos equívocos de inconstitucionalidade e desprezo à laicidade do Estado Brasileiro, estendendo as pretensões da Igreja Católica Apostólica Romana a todos os demais credos religiosos. O nivelamento no tratamento pelo Estado às religiões não pode ser amparado por fundamentos manifestamente inconstitucionais que agridem a soberania do Brasil e retrocede-nos ao indesejável modelo do “padroado” no Império.


Ante o exposto, em consonância com a Palavra de Deus, sua única regra de fé e prática, e com a sua doutrina, a IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL manifesta-se contra a aprovação do Congresso Nacional do referido Acordo Internacional ou de qualquer norma legal que privilegie determinada religião/denominação em detrimento de outras; não considerando a cidadania dos ateus e agnósticos também presentes no Brasil, consagrando ingerência de Estado Estrangeiro sobre o Estado Brasileiro e afrontando a separação entre o Estado e a Igreja, preservada em todas as Cartas Constitucionais da República Brasileira.


A IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL reitera sua submissão e intercessão em favor das autoridades constituídas, mas não abre mão de seu ministério profético nesta geração a denunciar todo e qualquer desvio contrário ao Estado de Direito e à Lei de Deus.


Brasília – DF, outubro de 2009
Rev. Roberto Brasileiro Silva
Presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

SOMOS EXEMPLOS PARA OS NOSSOS FILHOS

A palavra do Senhor nos orienta:“Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele.” Pv. 22:6.
Ensinamos aos nossos filhos não apenas através das palavras, mas, sobretudo, pelo nosso exemplo. Existem muitos pais e mestres que usam a seguinte filosofia: “faça o que eu mando, mas não faça o que o faço”. Tal procedimento é uma péssima maneira de educar.

Veja o vídeo abaixo e constatará que nossos filhos imitam aquilo que fazemos no dia a dia.

Que o Senhor nos ajude a sermos bons referenciais para os pequeninos.

31 DE OUTUBRO - DIA DA REFORMA PROTESTANTE

SOMOS FRUTO DA REFORMA

Em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero, revoltado com muitas práticas antibíblicas, que estavam sendo inseridas na igreja cristã, afixou na porta da Catedral de Wittenberg uma lista de 95 teses alusivas a práticas da igreja, jamais aprovadas ou citadas pelas Escrituras Sagradas. Seu objetivo era apenas reformar a única igreja em que até então acreditava, porém as coisas tomaram outro rumo e tiveram uma repercussão muito maior. O estopim que levou Lutero a escrever as 95 teses foi a cobrança exagerada pela venda de indulgências em sua cidade, por um frade dominicano alemão, chamado João Tetzel, e as teses consistiam em completa exposição bíblica acerca da salvação e suficiência das Escrituras, discussão aberta a muitas das práticas correntes da igreja.

Embora tudo isso tenha desencadeado a excomunhão de Lutero da Igreja, nada o fez voltar atrás. Levantando-se contra séculos de tradição, firmado somente na Palavra de Deus, Lutero afirmava que jamais poderia ir contra a sua consciência, a menos que fosse provado na Bíblia que estava errado. Era o início da Reforma Protestante na Europa. Os reformadores ficaram conhecidos então como “os protestantes”. Sua divisa era Somente as Escrituras, Somente a Graça, Somente a Fé, Só a Deus dai gloria, Cristo somente.

Espalhando-se pela Europa, a Reforma chegou à Escócia com John Knox e o francês John Calvino (aos 27 anos, em 1535, publicou As Institutas da religião Cristã - o escopo do pensamento reformado) sob o nome de presbiterianismo. Na França, estes mesmos presbiterianos foram chamados de huguenotes. A Igreja Católica Romana – que exercia a liderança religiosa à época, então iniciou seu contra-ataque ou contrarreforma, perseguindo, excomungando e matando os protestantes ou qualquer que lesse ou possuísse seus escritos. Oprimidos pela Igreja Católica Romana na França, os Huguenotes fugiram para as Américas - novo e recém descoberto mundo novo. Em 1557, quarenta anos após o primeiro ato de Lutero, chegou ao Rio de janeiro um grupo de Huguenotes com o objetivo de fundar aqui uma colônia chamada França Antártica, que deveria caracterizar-se pela tolerância religiosa. Eram os primeiros Protestantes a pisar em terras brasileiras. Três pastores protestantes lideravam o grupo, em que havia um homem, Nicolas Durand de Villegaignon, que, ao aportar ao Rio, foi entregue às autoridades contra-reformistas. Alguns conseguiram escapar, mas quatro deles, Jean du Bourdel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon e André la Fon, foram presos e condenados à morte. A prisão deles foi atribuída não somente por entrarem no país que era colônia portuguesa, mas por estarem difundindo o Evangelho da Graça, que contrariava expressamente as doutrinas romanas de salvação por fé e obras.

Em doze horas, aqueles quatro homens, com ajuda apenas de suas Bíblias (pois não dispunham de outros livros), escreveram o que seria a primeira confissão de fé das Américas, mostrando aos clérigos jesuítas tudo aquilo em que criam. Foi uma espécie de Credo, e eles sabiam que com o documento estavam assinando a própria sentença de morte.

Só em agosto de 1859, um americano pastor presbiteriano, Ashbel Green Simonton, de 26 anos, desembarcou no Rio, trazendo consigo a pregação bíblica reformada. Hoje, passados 150 anos, estamos no Brasil anunciando o evangelho da salvação legítima como fruto da reforma protestante do século XVI. Continuemos, pois, firmes no compromisso de proclamar a salvação pela fé no Senhor Jesus Cristo, empenhados em fazer tudo para glória do nosso Deus!

(Texto adaptado pelo Rev. Liberato)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

SEMINÁRIO PARA A FAMÍLIA

A IPN preocupa-se com a família, por isso o nosso Ministério de Casais preparou uma programação especial para as famílias, visando o aprimoramento dos nossos relacionamentos familiares, a fim de que tenhamos lares bem estruturados. Contamos com sua participação, o seminário alcançará todos os membros de sua família.

PROGRAMAÇÃO:

06 DE NOVEMBRO- (Sexta-feira)

19h - Abertura Culto da Família

07 DE NOVEMBRO – (Sábado)

15h - Louvor

15h30min. - Oficinas

17h - Lanche

18h30 - Louvor

19h - Encontro com as famílias

08 DE NOVEMBRO – (Domingo)

9h – Escola Dominical - Classe única com as famílias

18h - Culto de Encerramento

TEMA GERAL: RELACIONAMENTO FAMILIAR

SUB-TEMAS:

a) A família na pós modernidade (efeitos)

b) Definição dos papéis na família

c) A comunicação na família

d) A importância do serviço na família

e) A prática da devoção na família

f) Qual a proposta de Deus para a família?

g) Como administrar às finanças na família?

PRELETORES: Rev. Hilton Figueiredo e Lenora

INSCRIÇÕES – R$ 5,00 por pessoa.

CONTATOS – Secretaria da IPN – Fone: 084 3211 1771

ORAÇÃO – Não se esqueça de orar pelo evento, pois dependemos completamente da ação do Espírito Santo em todas as etapas.

ESPERAMOS POR VOCÊ E SUA AMADA FAMÍLIA!

Em Cristo,

Pastor Liberato

AS ARMAS DO CRISTÃO NA TAREFA DE EVAGELIZAÇÃO

Usarei um episódio da vida de Israel para fazer um paralelo entre a luta da Igreja contra as forças do mal ou da luta do crente contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais na tarefa de viver e proclamar o evangelho da salvação.

O propósito da vitória de Gideão com os 300 homens sobre os medianitas, registrado em Juizes 7:1-22, é inspirar-nos para desenvolver em nós as qualidades e atitudes, que permitirão sejamos usados por Deus em nossa missão na terra.

Naturalmente que as armas são importantes para uma guerra bem sucedida. Quais foram as armas usadas por Gideão e os 300 soldados. O povo usou trombetas e tochas. Nunca, na história do mundo se ouviu dizer que um exército saísse à guerra com trombetas e tochas acesas dentro de um cântaro vazio. É incrível a maneira que Deus usa para derrotar o inimigo. Os midianitas, os amalequitas e todos os filhos do oriente jaziam no vale como gafanhotos em multidão; e os seus camelos eram inumeráveis, como a areia na praia do mar, v. 12.

As trombetas representam nosso testemunho verbal. Gideão disse ao povo: “Olhai para mim e fazei como eu fizer; e eis que chegando eu à extremidade do arraial, como eu fizer, assim fareis vós. Quando eu tocar a trombeta, eu e todos que comigo estiverem, tocai também vós as trombetas ao redor de todo arraial e dizei: Pelo Senhor e por Gideão” v.17, 18. Com o som das trombetas, o povo do exército inimigo deitou a correr e gritando fugiu. E o Senhor tornou a espada de um contra o outro, v.21,22. Nosso testemunho verbal positivo influencia pessoas e até cidades inteiras. Na Igreja primitiva, a evangelização não era uma coisa de final de semana; era algo que fazia parte da vida dos crentes. “E todos os dias no templo e nas casas não cessavam de ensinar e de anunciar a Jesus Cristo” Atos 5:42. Evangelização era seu negocio diário. Nossa luta com o inimigo de nossas almas não é coisa de fins de semana; mas de todos os dias e o dia todo. Em Romanos 10:9-10, Paulo afirma que precisamos crer com o coração e confessar com nossas bocas que Deus ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos. Jesus declarou, segundo Lc 19:40: “ Digo-vos que, se estes se calarem, as pedras clamarão”. “E de noite disse o Senhor em visão a Paulo: Não temas, mas fala e não te cales” Atos 18:9. Nossa grande e poderosa arma contra o inimigo é nosso testemunho verbal. Na expressão do Dr. Cuyler, os Atos dos Apóstolos não é uma história de Igrejas e sim de cristãos individuais; a pesca de almas não se processava por meio de uma rede varredoura em que todos se uniam para puxar, não; cada pescador lançava seu próprio anzol. Quando perguntaram a Loiman o segredo de seu sucesso, ele respondeu: Eu prego no domingo, mas tenho 450 soldados que na segunda feira levam minha mensagem e a anunciam por toda parte. Qualquer Igreja cresce quando os crentes fazem isso. Nossa arma para a guerra é o testemunho verbal positivo.

As tochas representam nosso testemunho vivido. O testemunho verbal há de resplandecer como o exemplo luminoso. Aqueles soldados levaram uma tocha de fogo dentro dos cântaros. As trombetas no escuro não seriam o suficiente para a vitória. Os soldados tocaram as trombetas e ao mesmo tempo quebraram os cântaros segurando em suas mãos as tochas acesas para alumiar. É importante nosso testemunho verbal, mas nossas vidas não podem ficar escondidas, precisam resplandecer. Nossa vida diária faz parte de nosso testemunho verbal diário. Nossas vidas falam alto e devem corresponder ao que falamos. Alguém disse: “Antigamente os crentes eram perseguidos por causa do evangelho, mas hoje o evangelho é perseguido por causa dos crentes”. Uma grande arma na luta contra o inimigo é nosso testemunho. Precisamos resplandecer como a luz. “Para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus imaculados no meio de uma geração corrupta e perversa, entre a qual resplandeceis como luminares no mundo” Fil. 2:15. ou “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai, que está no céu” Mateus 5:16.

Que o Senhor nos ajude na grande missão de viver e proclamar o evangelho ao mundo que jaz nas trevas.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

ESTADO LAICO

Estou publicando o artigo do Dr. Fernando Capez (Procurador da Justiça e Deputado Estadual - SP), pois achei muito interessante sua abordagem sobre o "Estado Laico". Leia e tire a suas conclusões.

ARTIGO: O ESTADO LAICO E A RETIRADA DE SÍMBOLOS RELIGIOSOS DE REPARTIÇÕES PÚBLICAS
Última modificação 02/09/2009 18:54
Fernando Capez
Recentemente, o Ministério Público Federal ingressou com uma ação civil pública, pleiteando que fossem retirados das repartições públicas do Estado de São Paulo, todos os símbolos religiosos, entre os quais o mais utilizado é a cruz, representação maior da fé cristã. A ação pede a concessão de liminar, denegada pela juíza da 3ª Vara Cível Federal, Dra. Maria Lúcia Lencastre Ursaia, para a remoção dentro do prazo máximo de 120 dias, sob pena de multa diária. Dentre os argumentos, encontra-se o de que pessoas que se dirigem aos prédios públicos poderão se sentir ofendidas pelos símbolos ou sinais religiosos. A argumentação básica é a de que o Brasil optou por um Estado laico.
Eis a questão: o Estado laico não tolera em suas repartições a expressão da fé em Deus, por meio de símbolos?
De acordo com o filósofo francês Michel Villey, há uma clara e indesejável tendência nos sistemas jurídicos contemporâneos de conferirem à laicidade um conteúdo de antagonismo à religião, deturpando-a em puro laicismo, no qual, a fé é desprezada e totalmente substituída pelo racionalismo profano (A formação do pensamento jurídico moderno, SP, Martins Fontes, 2005). Nega-se a ressurreição de Cristo, bem como seus milagres relatados por testemunhas no Evangelho porque tais fatos ofendem a razão mundana. Tudo o que não for possível demonstrar racionalmente, à luz da compreensão humana não é científico, não é laico, logo, se opõe ao Estado racional e moderno.
Trata-se de uma volta ao movimento iluminista do final do século XVIII, em que a soberba do antropocentrismo e o egoísmo individualista suplanta a crença em dogmas absolutos pré-constituídos.
Laico, no entanto, não quer dizer inimigo da religião.
Etimologicamente, laico ou leigo provém do termo grego laikós, que designa o que se refere ao povo (laós). O termo leigo (laikós) serve apenas para diferenciar as pessoas consagradas para uma missão especial, tais como os diáconos, presbíteros e bispos, daqueles que são apenas consagrados no batismo (Dom Fernando Antônio Figueiredo, Introdução à Patrística, RJ, Editora Vozes, 2009, p. 46). Laico não designa, portanto, algo não religioso, nem contrário à fé, mas apenas aqueles que não exercitam como vocação, o ministério religioso. Estado laico não é Estado sem fé, ateu ou que se antepõe a símbolos de convicções religiosas, mas tão somente Estado não confessional, sem religião oficial ou obrigatória.
Assim, ao contrário do que parece à primeira vista, a expressão laico não se opõe, nem repudia, mas antes, coexiste pacificamente com as religiões, sem molestá-las ou coibi-las. Aliás, a CF, em seu art. 19, I, prevê até mesmo a possibilidade de aliança entre Estado e Igreja sempre que, nos termos da lei, houver interesse público. Um Estado não confessional significa apenas não regrado por normas religiosas, sem implicar em nenhuma postura comissiva de hostilidade ao status quo.
A Constituição Federal de 1988 consagrou o Estado Democrático de Direito, calcado na busca da igualdade formal e material, tem como seu objetivo promover o bem de todos, sem preconceitos de qualquer natureza, e se alicerça na dignidade da pessoa humana. Busca a tolerância mútua e a coexistência pacífica.
Cabe ao Estado e à sociedade em geral não encorajar manifestações de intolerância daqueles que se sintam ofendidos pela livre expressão da fé alheia. A retirada de símbolos já instalados, mesmo que em repartições públicas, leva à alteração de uma situação já consolidada em um país composto por uma quase totalidade de adeptos da fé cristã, e agride desnecessariamente os sentimentos de milhões de brasileiros, apenas para contentar a intolerância e a supremacia da vontade de um restrito grupo de pessoas.
A Constituição Federal não conformou um Estado ateu, nem hostil ao cristianismo, apenas estabeleceu um regime não confessional. Não há religião oficial, mas também não há política oficial de repúdio à religião.
Gilmar Ferreira Mendes, Inocêncio Mártires Coelho e Paulo Gustavo Gonet Branco observam: “O Estado brasileiro não é confessional, mas tampouco é ateu, como se deduz do preâmbulo da Constituição, que invoca a proteção de Deus. Admite igualmente, que o casamento religioso produza efeitos civis, na forma o disposto em lei (CF, art. 226, §§ 1º e 2º ...a laicidade do Estado não significa, por certo, inimizade com a fé.” (Curso de Direito Constitucional, SP, Saraiva, 2007, p. 408/409).
Devemos buscar a conciliação como meio de transformar as relações pessoais e pacificar os conflitos. Como ensinou Nelson Mandela, não há futuro para a humanidade sem perdão e reconciliação. Não basta a força e a coerção para a solução das crises nas relações interpessoais. A verdadeira paz não se faz com o silenciar do outro, pois quando há um vencedor, sempre resta um vencido humilhado e pronto a desafogar os instintos de vingança. Paz é curar o coração das pessoas e dos povos. Paz é conseguir que vítimas e agressores se perdoem e se reconciliem. Paz é não se sentir ofendido pela liberdade de expressão alheia, mas, ao contrário, compreendê-la e tolerá-la. A religião tem sido relegada a um plano de separação abismal da vida secular, desperdiçando-se ao longo dos séculos, tantos ensinamentos filosóficos que constam das escrituras sagradas e que poderiam ter levado à solução pacífica dos conflitos e guerras que assolaram a humanidade. Como mecanismo eficaz de inibição da violência, da correção de rumos e da solução de desentendimentos, a religião deveria ser tratada com maior deferência e atenção.
Cabe a todos nós, a tarefa de buscar a união e a tolerância entre Estado e religião, entendida como o complexo de regras calcadas na fé em Deus e na crença do compromisso de paz, harmonia e tolerância com a humanidade.
*Fernando Capez
Procurador de Justiça e Deputado Estadual. Presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. Mestre em Direito pela USP e doutor pela PUC/SP. Professor da Escola Superior do Ministério Público e de Cursos Preparatórios para Carreiras Jurídicas.
Site: www.fernandocapez.com.br
E-mail: fcapez@terra.com.br
Twitter: www.twitter/fernandocapez

Quanto a retirada dos simbolos religiosos de repartições públicas penso que a grande questão gira em torno da banalização.
Concordo com as palavras do Frade Católico Romano Demetrius dos Santos Silva:
“Sou Padre católico e concordo plenamente com o Ministério Público de São Paulo, por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas. Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião. A Cruz deve ser retirada!”
Nunca gostei de ver a Cruz em tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são vendidas e compradas…
Não quero ver a Cruz nas Câmaras legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte…
Não quero ver a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados…
Não quero ver a Cruz em prontos-socorros e hospitais, onde pessoas (pobres) morrem sem atendimento…
É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa da desgraça dos pequenos e pobres.”

Muitos pensam que ao carregar um crucifixo no pescoço, ou ter uma bíblia aberta em suas casas estão protegidos dos maus espíritos, e são cristãos.
O cristianismo é um estilo de vida, não podemos restringi-lo aos símbolos. Não há qualquer sentido carregar uma cruz no pescoço se de fato não vivemos os valores do Reino de Deus em nossa prática diária. Outro grande perigo é idolatrar o símbolo, o que é presente na cultura religiosa do nosso país. Eles são verdadeiros amuletos.
Não tenho dúvida que a nossa nação precisa conhecer o verdadeiro Deus, Aquele que converte os nossos corações, tornando-nos mais justos, fraternos, pois seremos parecidos com Ele.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

10º CONGRESSO SEMEAR


"UMA JUVENTUDE SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS"
Chegamos ao 10º Congresso Semear, glória a Deus! Nosso propósito foi desafiar os jovens a viver segundo o coração de Deus.
O impressionante texto de Atos 13:22b diz: “Encontrei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração; ele fará tudo o que for da minha vontade”
Deus está a procura de jovens que se coloquem em sua presença, e tenham um coração segundo o Seu coração. Quando analisamos friamente o tema, chegamos a pensar que seria impossível em nossos dias encontrar um jovem segundo o coração de Deus. Nesta geração tão desenvolvida tecnologicamente, o jovem tem a sua disposição várias oportunidades de se afastar de Deus e aprofundar-se no pecado. Por este motivo, chegamos a imaginar que seria impossível hoje achar jovens segundo o coração de Deus.
Quando olhamos, todavia, para história do Rei Davi, podemos notar que ele teve as mesmas dificuldades que temos hoje como jovens de Deus. Suas vitórias foram conquistadas com muita luta e muito trabalho.
Quando pensamos em Davi, logo nos vem à mente que ele era pastor, poeta, matador de leão e gigante, rei e antepassado de Jesus. Resumindo: um dos maiores homens do AT. Mas existem outras qualificações além dessas: traidor, mentiroso, adúltero e assassino. A primeira lista apresenta as qualidades que todos nós gostaríamos de ter; a segunda, as que poderiam ser reais a nosso respeito. A Bíblia não faz esforço algum para esconder os fracassos de Davi, mesmo assim é lembrado e respeitado por seu coração voltado para Deus.
Davi, apesar de suas fraquezas, possuía uma fé inabalável na fiel e poderosa natureza de Deus. Foi um homem que viveu com grande prazer. Ele pecou, mas quando confrontado era rápido para reconhecer seus erros, arrepender-se e confessá-los, veja o salmo 51. Suas confissões eram sinceras e seu arrependimento genuíno. Nunca negligenciou o perdão de Deus ou tomou sua bênção como uma concessão. Davi experimentou a alegria do perdão, mesmo quando teve que sofrer as conseqüências de seus pecados. Ele deliberadamente não repetiu o mesmo erro. Aprendeu com suas falhas, porque aceitou o sofrimento que lhe trouxeram.
Davi não foi reconhecido o homem segundo o coração de Deus por causa da sua força física, da sua inteligência ou por suas habilidades nas guerras. Ele foi chamado o homem segundo o coração de Deus pela sua humildade e obediência. Apesar de seus deslizes, foi um dos melhores reis de Israel, e o que mais agradou os olhos de Deus, pois ele se empenhava em fazer sempre aquilo que Deus determinava.
Foi um homem que amou de verdade a obra que Deus colocou em suas mãos, nunca desanimou do projeto de Deus em sua vida. Não deixava que o espírito de desânimo assumisse lugar em sua vida, apesar de tantas adversidades que enfrentou.
Aprendemos com Davi que para ser um jovem segundo o coração de Deus é necessário: reconhecer o pecado e arrepender-se diante do Senhor, confiar na misericórdia de Deus, assumir as conseqüências dos nossos erros, obedecer às ordens de Deus em tudo, ter prazer em trabalhar para o Senhor, não permitir que o espírito de acomodação e desalento paralise o projeto de Deus em sua vida e manter-se fiel ao Senhor em todas as áreas.
Que o Senhor o ajude, a cada dia, viver de acordo com o Seu coração. Rev. Liberato
Mais de 200 jovens participaram do congresso. Foi uma bênção! Glória seja dada ao Senhor!Equipe organizadora - Sob a direção do mui querido colega Rev. Juliano. Deus abençoe grandemente a cada um.